quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Só pra QUEM é!

Eu te procuro quando me sinto em perigo
Quando cai um raio e soa um trovão
Eu te procuro quando alegria eu sinto
Só você traduz a sensação
.
Contigo eu me esparramo, não tem engano, não, nem erro não
Nem ilusão nessa canção
.
Essa canção quer você todo tempo que eu perdi
Todo lance que rolar
Cada momento e em qualquer lugar
Ou enquanto acender esse brilho em teu olhar.
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(Léo Jaime)

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Senhor da Guerra.

Queres deter o colérico vendaval
Tão vetusto por estas cercanias?
A zurzir parece imitação do mal
Naquele coração reina tirania
.
Pensas embainhar branca adaga?
Tolo, o medo é uma faca afiada,
Impulsiona à defesa, mais nada
.
Mas tu vives da desgraça
Tens por certo o dom da obliteração
Agrada-te ver os sonhos num caixão
.
Um dia pisarei sobre tua carcaça
Fim à farsa, as cinzas não irão ao vento
Lamento, ele não é merecedor de excremento!
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(Camila B. Pacheco)

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Politicamente Político.


Sou politicamente político,
Vivo de conspirações,
De vez em quando seduzo uma secretária,
De vez em quando desvio dinheiro de uma secretaria,
Vivo no secreto, prefiro ser discreto,
Visto meu terno risca de giz, coloco meu nariz,
Digo coisas sem sentido em português errado,
Gesticulo muito, peço “CPI´s”,
Admiro os raros, luto pelo povo...
Faço campanha, uma gostosa me acompanha,
Tiro fotos indecentes no “planalto”, cheguei o mais alto,
Sou politicamente político!
Meu povo!
Vamos comer biscoito,
Lutar pela pobreza, que ela continue pobre e longe de mim!
Sou ministro, ministro a jogatina lá em casa,
Meu povo!
Vamos lutar pela educação,
que todos digam obrigado, bom dia, boa tarde e boa noite...
...Sou politicamente político.
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(Camila B. Pacheco)

O que for, O que é...O que sou, O que quer?

Madrugada solitária insônia persistente,
Escondida atrás dos olhos um desejo,
Pensamentos e ilusões, um coração alado,
Não precisa se esconder, eu sei...
A mascara da ilusão no fim do dia você volta a ser,
Um sorriso tóxico, olhar radioativo, pobre podridão,
Por debaixo da mentira um final feliz?
Não é uma novela...
Sua pele superficial, de alguém que tanto olha
pra nada ver,
Cegueira alternativa,
a imagem é o que conta,
vazio...
...Um destino unificado,
sensatez bifurcada, tendência de compra,
vendeu a alma pra comprar uma TV,
Mãe eu to na Globo...
...Mãe eu sou um bobo,
...Vendi meu corpo...
...Mãe eu sou um porco,
São todos idênticos, é um continuo de coisa alguma,
“esse” é vazio, “aquele” é vazio, todos à volta e fica frio
Estúpido, frio!
A juventude retirada, burrice refinada,
aos poucos tudo some, quero ser alguém...
... quero ser alguém,
Quem desdenha quer roubar!
“Eles não sabem o que dizem, são apenas jovens”
... Quem desenha quer pintar!
Mar de solidão, um azul escuro quase cinza,
eu queria um navio, me deram um submarino,
Sobreviver é uma arte,
enxergar uma opção,
honestidade...utopia,
mostre a bunda e sorria...
Mãe eu to na Globo
...Mã...e
...eu
so...u
um por...co,
Coração corroído, olhar radioativo.
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(Camila B. Pacheco)

Grito!


Pobre eu,
Brinca com as palavras
por não saber brincar de amar,
Brinca com a vida,
por não saber viver,
Brinca de ser poetiza,
por não saber chorar,
Sou forte por me sentir sozinha,
sou sozinha por ser fraca,
Não sei acreditar em tudo o que achava tão certo,
Minha força acabou,
de tudo o que restou,
poeticamente eu grito,
E quem sabe entendam o que quero dizer,
Tristemente eu digo que essa poesia sabe machucar,
Tristemente eu digo,
que apesar de tudo ainda sou vilipendiada,
Pobre eu,
Brinca com as palavras,
por não saber amar,
Pobre eu,
Faz poesia, por não saber chorar,
Pobre eu,
Pensa que é livre borboleta,
mas não sabe como voar.
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(Camila B. Pacheco)
A imagem mais linda que meus olhos contemplaram nos últimos tempos.


"(...)Ser capitã desse mundo, poder rodar sem fronteiras, viver um ano em segundos, não achar sonhos besteiras, me encantar com um livro que fale sobre vaidades, quando mentir for preciso, poder falar a verdade(...)"
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(Maria Gadú - Shimbalaiê)

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Menina - Mulher...De Rua.


Menina de rua
De trapo rasgado
Quase nua
De olhar largado
.
De mão estendida
Triste ao pedir
O sustento da vida
Gesto que faz sem sentir
.
A cena se repete
Dia a dia
O semblante já reflete
A luta travada lá na via
.
Nos ombros carrega
Sacola velha surrada
Onde a moeda escorrega
Se junta a outra já guardada
.
Menina, mulher-menina,
Que não é mais criança
Embora tenra e franzina
Carrega gravidez que avança
.
Alisa de maneira afetuosa
A barriga que está aparecendo
Como a sonhar amorosa
Com a outra que está crescendo
.
Menina de rua inocente
Que passa de mão em mão
Acaso prostituta, a mais recente.
Triste sina de um mundo cão
.
Largada de mãe, família desconhecida
Alheia a sociedade ela continua
Corre, segue a sua vida insólita
Destino de mulher-menina de rua.
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(Camila B. Pacheco)

Ao Mestre Com Carinho.

Saudades, conflitos de culpas, lamentos
Sonhos, momentos, amor, sentimentos
Vem de novo essa dor que invade meu peito
Sozinho ninguém vê quando choro por dentro
Um cinza nebuloso da o tom da cor
Um frio cabuloso me tortura sem pudor
E assim eu prossigo carregando meu castigo
Lembranças de um tempo me recordo velho amigo
De tantas histórias vivas na memória
De tropeços e glorias derrotas e vitorias
Eu paro, penso, preciso refletir
Nos erros, acertos dos quais cometi
Embaçado tô mal e eu que era o tal
Num súbito afinal fui cair na real
Éh! Só eu sei o que fizeste por mim
Uma angustia me toma, mas vou até o fim
Hoje percebo o quanto fui injusto
O tempo passando continua esse luto
Pra ser honesto com toda franqueza
Ninguém tá preparado pra esse tipo surpresa
porém com certeza se pode acreditar
Num pódio com a táça la seu lugar
Cedo ou tarde nós nos encontraremos
E vamos relembrar das boas que vivemos...
Não foi nada em vão...
Coração em pranto...
Não foi nada sem querer...
Por isso que canto...
Não foi nada em vão...
Se caio levanto...
Esta difícil de esquecer...
E sigo andando...
Me lembro muito bem quando era pirralho
Cores, magia, numa gota de orvalho
No dia das crianças em pleno dia doze
Parque, balança. Pipoca, algodão doce
Não da pra esquecer a minha euforia
Com dificuldade momentos de alegria
Corria pros seus braços ao barulho do portão
Na face o cansaço notória expressão
E aquela fita pra mim ficou marcado
Mão a palmatória entendo o seu recado
Tempos difíceis tava desempregado
Sem grana, endividado quem não fica injuriado?
De dia, de noite só treta o tempo inteiro
Sacrifício, humilhação pela porra do dinheiro
Varias vezes juntos andamos lado a lado
Queria que eu soubesse todo seu passado
Uma forma de passar seus ensinamentos
Citando sofrimentos tidos como exemplo
Quem sabe um dia você sempre dizia
Em algum lugar talvez eu acharia
Respostas pras perguntas que a gente se fazia
Só agora fui entender o que você queria
Nunca será tarde assim eu espero
Pra dizer o que sinto mil perdão sincero...
Não foi nada em vão...
Coração em pranto...
Não foi nada sem querer...
Por isso que canto...
Não foi nada em vão...
Se caio levanto...
Esta difícil de esquecer...
E sigo andando...
Vejo você ali, sentado no seu canto
Olhar cabisbaixo com seus cabelos brancos
Os braços cruzados, abatido desolado
Triste, pensativo, recordando seu passado
Até que tentei uma palavra de conforto
Mas quem te dominava era a dor e o desgosto
Só assim percebi o que estava por vir
Um bom descanso pai oro por ti
Conselhos, afeto andava pelo certo
Sempre por perto pelo justo no correto
Ligeiro, esperto com os pés no chão
A vida é assim mesmo chega de ilusão
Trilho meu caminho na minha condição
às vezes também sonho é claro porque não
Se no mundão nada é certo se caio me levanto
Coração em pranto foi-se o encanto
Mas, no entanto vou viver melhor a vida
Sorrisos e flores serão sempre bem vidas
Irmão, caro amigo, herói grande sujeito
Carinho muito amor pelo senhor muito respeito
Eu sei quando ela vem é cruel e voraz
Mas seja onde for com cristo muita paz
Apesar disso tudo sigo forte meu pai
É só uma fase depois isso vai...
Isso vai...Isso vai...
Não foi nada em vão...
Coração em pranto...
Não foi nada sem querer...
Por isso que canto...
Não foi nada em vão...
Se caio levanto...
Esta difícil de esquecer...
E sigo andando.
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(Jairo - Periafricania)

Poema de Rua.


É manhã
Passando por uma calçada observo
Um menino deitado sob o olhar de desprezo.
Dorme
Eis um ser humano ainda
Criança que retrata um país sem princípios.
Não tem glória nem paz.
Seu lanche, restos nas lanchonetes,
Sua escola é a rua, seu lar as marquises.
Cheira cola ao invés de uma flor...
Se faz isso é por intuição, porque teve
Como oportunidade e não como alerta.
É meio dia
A fome aperta e a dor também
A dor do abandono...
Ele não sabe o futuro
Que o espera, por isso se aventura
No presente!
Sem pai, sem mãe corre pelas tardes
Em busca de furtos fantasiados de conquista
E encontra apenas humilhações, maus tratos.
Apanha, sofre o castigo da pior surra:
O desprezo.
É noite
Não tem o dia como saudade...
Rebusca algo e mais uma vez só ilusão
A ingratidão é sua eterna companheira.
Vive uma vida indigna que uma criança
Jamais mereceria.
É silêncio
A calçada é o colchão, um papelão é o cobertor.
Amanhece
O menino dorme na mesma calçada.
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(Camila B. pacheco)

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Aperta um no Pensamento.

E depois dizem que porca é a miséria,
Suja é a política,
Será que existe alguma coisa séria?
Uns bostas
Só saem de guarda-costas
Pegam crianças no colo
beijam velhinhos nas mãos
Churrasco e festa de campanha
Farta mesa com picanha
Lacaios!
Vão pra casa do caralho
Tanto safado
Em nome dos interesses partidários
A oportunidade faz o político
O povo faz o ladrão
O pior é que muitos de nós
Ficam de quatro
Pelo número e pelo retrato
Apertem o verde
Acreditem de fato!
Jogando seu voto
Na escuridão...

...E apertando o verde no pensamento!!!

Pros magnata assumirem o trono que não é verde, é de ouro!
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(Camila B. Pacheco)

É Treta Pensar.

Pensar é coisa feia demais, é produto antipático;
É obstáculo ao mito e ao ídolo, é míssil dirigido ao consumismo;
É coisa ultrapassada, é fragmento pré-socrático;
Pensar tá menos pra shoping e tá mais pra confucionismo!
Pensar não deve ser bom negócio, é combustão na lareira;
É repugnância ao ato passivo, é protesto nas ruas;
É inglorioso, no presente dá demissão e no passado deu fogueira;
Pensar é ultrassonografar um cérebro vazio de uma alma nua!
Pensar é pedir a feiura em casamento, é ler uma página branca;
É desligar a TV no horário nobre, é fazer dieta de futilidades;
É desvendar o mistério da suposta clareza, é pesar neurônios na balança;
Pensar é traduzir nas letras do pseudo-sagrado, suas profanas fraudes!
Pensar é comprar briga com a moda, é ser ET;
É ativar a mente e deletar a web, e acreditar que o sistema é mal;
É declarar-se louco, pois contempla tudo que a maioria não vê;
Pensar é investigar um proclamado bem, e advogar um divulgado mal!
Pensar é vestir a camisa de força, em nome da lucidez;
É levar à boca a comida entregue pelas mãos do mesmo corpo;
É pedir um livro no aniversário, é ensinar Tio Sam a falar português;
Pensar é ter vergonha da sensatez, e nutrir orgulho por ser louco!
Pensar é contrariar a maioria, aquela que manda e que compra;
É falir o supermercado, que enche suas prateleiras com vãs ilusões;
É rasgar o calendário, e seus feriados consumistas de ponta a ponta;
Pensar é o crime que toda forma de ditadura, quer ver nas prisões!
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(Camila B. Pacheco)

A Fila do Leite.

Num sonho, vi pobres mulheres
Com surradas sacolas de supermercados.
Sacolas plásticas e pequenas,
Porque pequenas também eram suas poucas compras.
Enfileiravam-se de forma sinuosa,
Olhares “compridos” por sobre os ombros das outras,
Como se esperassem um pequeno milagre.
Milagre este que se resumia em dois saquinhos de leite.
Vinham tristes, caladas e de semblante fechado,
Como se fecharam também seus corações
Pela brutalidade de maridos pobres,
Que lhes geraram muitos filhos (ainda mais pobres).
E saíam da mesma maneira que chegavam...
Sem um sorriso, com a roupa humilde, o olhar perdido;
A esperança desfeita, os sonhos castrados
De pessoas que pouco têm e tudo lhes faltam.
E no sonho eu via suas dores diárias,
A rotina de fome, o ciclo de miséria.
E voltavam na mesma fila do pequeno milagre.
Olhavam-se caladas e saíam caladas
Prá viverem mais um dia de escassez,
Que a injusta pobreza lhes reservara.
E do sonho acordei e me assustei,
Quando vi, do outro lado da rua,
A mesma fila de mulheres sofridas,
Mal alimentadas e mal vestidas
Com suas pequenas sacolas de supermercado
(Aquelas que pensava só existirem nos sonhos)
E pegavam um litro de leite quase mendigado.
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(Camila B. Pacheco)

Justiça dos Homens.


O tiro ecoa ao longe
No céu brilham metais
No chão alvos fatais
E choros incontidos
Não foi Deus!
Não fui Eu!
Foram Eles!


No chão leitos de sangue
Abrigam corpos calados
Uns civis, outros soldados
E olhares sobreviventes
Oram a Deus!
Pedem por Mim!
Temem por Eles!


Seja eu a calar seu grito
A cravar seu peito insano
Fazer justiça ao desumano
E tomar de volta a paz
Que Deus quer!
Que Eu quis!
Que Me fez um deles!


Cidades refletem nas chamas
A história de cada menina
Sepultada nas ruínas
Num ritual antigo
Que não é de Deus
Nem Meu
É dos Homens!
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(Camila B. Pacheco)

O amor.


Amanheceu! O sol me desperta.
O corpo doido pela dura calçada.
Os pés sujos pela terra pisada
Sem sapatos e sem nada, me fazem chorar.


Buzinas e gritos, ruídos de gentes
A fome é real, a sede é sem fim.
Que sempre ausentes passam sem perceber.
A esperança não existe, o crime é meu fim


Brinquedos são latas catadas uma a uma,
Vendidas por nada pra matar a fome
Papeis são dinheiro, o lixo é um tesouro
A sede aumenta, o trabalho é duro.
A vida é a escola e a matéria é a dor.
E seja como for, não dá para fugir,
Para outra calçada, outra terra pisada por sapatos de couro


Preciso de alento, nem que seja um momento,
E só o cheiro da cola me faz esquecer.
Roubar não é bom, mas também fui roubado,
De um sonho acordado que a muito se foi


Quero pouco, não muito
Quero poder acordar e enxergar o mundo diferente
Não com o tiozinho me chutando como se chuta um lixo
Não quero dinheiro, não quero presente


Quero amor, quero vida, quero ser gente

E quero que alguém que me diga que o amor ainda existe;
E quero que alguém que me prove que o amor ainda existe.
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(Camila B. Pacheco)