terça-feira, 10 de novembro de 2009

O amor.


Amanheceu! O sol me desperta.
O corpo doido pela dura calçada.
Os pés sujos pela terra pisada
Sem sapatos e sem nada, me fazem chorar.


Buzinas e gritos, ruídos de gentes
A fome é real, a sede é sem fim.
Que sempre ausentes passam sem perceber.
A esperança não existe, o crime é meu fim


Brinquedos são latas catadas uma a uma,
Vendidas por nada pra matar a fome
Papeis são dinheiro, o lixo é um tesouro
A sede aumenta, o trabalho é duro.
A vida é a escola e a matéria é a dor.
E seja como for, não dá para fugir,
Para outra calçada, outra terra pisada por sapatos de couro


Preciso de alento, nem que seja um momento,
E só o cheiro da cola me faz esquecer.
Roubar não é bom, mas também fui roubado,
De um sonho acordado que a muito se foi


Quero pouco, não muito
Quero poder acordar e enxergar o mundo diferente
Não com o tiozinho me chutando como se chuta um lixo
Não quero dinheiro, não quero presente


Quero amor, quero vida, quero ser gente

E quero que alguém que me diga que o amor ainda existe;
E quero que alguém que me prove que o amor ainda existe.
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(Camila B. Pacheco)

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