
É manhã
Passando por uma calçada observo
Um menino deitado sob o olhar de desprezo.
Dorme
Eis um ser humano ainda
Criança que retrata um país sem princípios.
Não tem glória nem paz.
Seu lanche, restos nas lanchonetes,
Sua escola é a rua, seu lar as marquises.
Cheira cola ao invés de uma flor...
Se faz isso é por intuição, porque teve
Como oportunidade e não como alerta.
É meio dia
A fome aperta e a dor também
A dor do abandono...
Ele não sabe o futuro
Que o espera, por isso se aventura
No presente!
Sem pai, sem mãe corre pelas tardes
Em busca de furtos fantasiados de conquista
E encontra apenas humilhações, maus tratos.
Apanha, sofre o castigo da pior surra:
O desprezo.
É noite
Não tem o dia como saudade...
Rebusca algo e mais uma vez só ilusão
A ingratidão é sua eterna companheira.
Vive uma vida indigna que uma criança
Jamais mereceria.
É silêncio
A calçada é o colchão, um papelão é o cobertor.
Amanhece
O menino dorme na mesma calçada.
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(Camila B. pacheco)
E ISSO NÃO VAI MUDAR NUNCA????
ResponderExcluirE ISSO NÃO VAI MUDAR NUNCA????
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